domingo, 11 de outubro de 2009

Uma pequena lição.

Mãos no bolso. Olhos no chão. Um silêncio perturbador. Eu era ótima em fazer minutos de silêncio pesarem de forma que não fosse preciso proferir palavras dolorosa. Mas, de alguma forma, eu queria feri-lo desta vez. Queria vê-lo sentir o vazio pressionando seu peito. Pensei em dizer coisa feias, mesmo que não fizesse sentido. Dizer só por dizer. Só pra ferir. E por fraqueza não pude dizer nada além do que meu silêncio permitia. 
Fechei meus olhos. Dessa vez não foi para deixar as lágrimas escaparem. Foi para não ver o seu rosto. Ele me causava sensações diversas, fazendo-me perder o foco. Era como uma luz que me cegava e me arrastava para longe de mim mesma.
De repente algo me trouxe de volta. Foi sua voz me puxando do meu abismo secreto para depois atirar-me nele novamente. Olhei em seus olhos. Ele deu de ombros balançando a cabeça como um sinal de reprovação a tudo aquilo. Desviando o olhar deu meia volta. Caminhando a passos largos sem olhar para trás. Sem dizer adeus ou se um dia iria voltar.
Eu quis correr atrás pedir para que não me deixasse. Mas fiquei lá. Imóvel. Muda. Sem acreditar que ele tivera coragem de pular do barco.
Quando dei por mim já era tarde. Anoitecia. O clima parecia ser frio demais para que minha roupas me mantivessem aquecida. Fui para casa com vontade de banho e cama. E, talvez, uma panela de brigadeiro ou qualquer coisa que tapasse o buraco que eu sentia.
Disquei algumas vezes o seu número. Caixa postal, secretária eletrônica. Bati na sua porta. Não fui recebida.
Uma semana. Ontem fez uma semana e nenhum sinal.
Mas hoje pela manhã a campainha tocou, um palpite me dizia que tinha ver com ele. Uma entrega. Flores! Flores? Ele nunca me mandaria flores. Tulipas amarelas. Um envelope. Uma carta:

"Eu sei o que você está pensando nesse momento, minha cara...
Você deve estar imaginado que eu nunca lhe mandaria flores e escreveria uma carta assim. Mas tem um pequeno motivo para tudo isso.
Eu sei que você me procurou. Eu quis vir atrás de você. Se não atendi seu telefonemas nem lhe procurei, foi propositalmente não pois eu queria que você sentisse exatamente o que eu sinto quando você se cala .
Eu queria que você entendesse que eu não estou nesse barco sozinho e que ele não vai para frente se você não remar comigo...
Queria que você soubesse que eu estou ao seu lado o tempo todo e em todas as situações que estão por vir, mas eu queria saber se você tinha coragem de enfrentar o seu orgulho para estar ao meu lado da mesma forma.
Naquele dia em que eu fui embora bastava dar-me sua mão confortadora e eu saberia você ainda estava lá. Bastava agasalhar-me em braços e eu saberia que você ainda se importava. Bastava dizer-me três palavras mágicas e eu ficaria. Sim, eu ficaria até o fim. 
E agora você vai se calar novamente?

Ps.: Nunca é tarde de mais. Ainda espero por você para remarmos juntos no nosso barco."

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Esta mulher.

Posso ser um tanto confusa, imprevisível e indomável. É inevitável... Sou muitas em uma só.
Quem me vê no salto alto e com o rosto pintado, não perceberá o quão diferente posso ser das outras mulheres até trocar algumas palavras.
Ao contrário da maioria não sou louca por casamentos. Não faço da "união de dois seres" uma prioridade, e sim uma conseqüência do sentimento mútuo. Véu e grinalda misturado com vestidos imensos e calorentos, numa festa em que noventa por cento dos convidados reclamarão da comida, da bebida, da música, da decoração ou criticarão até a cor da unha da noiva, é puro desperdício.
Prefiro algo mais familiar e restrito que festas pomposas onde a noiva seria uma rainha mal-talhada, com um rei mal-talhado e uma festa pior ainda.
Não tenho instinto materno, apesar de gostar de crianças. Essa idéia de ter um ser crescendo dentro de mim, independente da minha vontade, é assustadora... E definitivamente, me faz não querer ter filhos.
Não nasci para esquentar barriga no fogão e esfriar na pia, nem pra ser a chefe de familia. Gosto de igualdade. Porque não rachar as despesas e dividir tarefas da casa?
Não gosto de ser elogiada somente pelos meus atributos físicos, assim como não gosto de pessoas que cuidam do corpo e têm cérebro atrofiado.
Inteligência pra mim é um ponto forte, torna as pessoas interessante e menos monotónas.
Sim, eu converso sobre roupas sobre cabelos e unhas, mas também converso sobre a vida, sobre livros, músicas e filmes. Adianta uma embalagem bonitinha com merda dentro? Acho que não...
Gosto de tudo que pode me adicionar conhecimento. Prefiro um bom livro ou um filme no final da tarde que estar em festas.
Não bebo alcoól, não fumo e multidões me deixam claustrofóbica. Sou careta? Dane-se, é assim que me sinto bem!
Sim, tenho fases como a lua mas mudo com meus vento, não com a tempestade alheia. Tenho TPM como muitas mulheres, a diferença é a seguinte: tento me controlar e não acho que é obrigação do mundo entender isso.
Obvio que tenho insegurança, porém não sou neurótica.
Não sou muito otimista, nem sempre estou de bom-humor e posso explodir com algumas besteiras.
Sofro de ansiedade. Isso explica minha variação de peso...
Sou transparente, não sei esconder nem camuflar sentimentos.
Sou exageradamente perfeccionista, impaciente e indecisa.
Com defeitos e virtudes sou verdadeiramente unica e aprendo a respeitar meus limites todos os dias.
Respeite os seus também.